Pesquisar este blog

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

KARL MARX


-Alemão (Judeu convertido ao catolicismo). Viveu numa Alemanha ainda feudal.
-Estudou: direito, filosofia,economia e história. Foi redator de jornal. Escritor e militante político
-Viveu ate sua morte na Inglaterra.
- Ênfase na questão da desigualdade social, proveniente da DIFERENÇA DE CLASSES.
- Dominação: PODER ECONÔMICO à PODER SOCIAL
·        Desenvolveu a “TESE MATERIALISTA DA HISTÓRIA”
-Método de análise da vida econômica a partir da história do próprio homem.
-O ser é racional, ele cria, produz e intervém no mundo, ele é um ser de ação. Transforma a natureza, a si próprio e a sociedade.
-relacionada ao modo de produzir
- Uma intervenção social era preciso
- O estado representa os interesses do capital, das classes dominantes.
- concepção de sociedade
- As relações materiais que os homens estabelecem e o modo como produzem seus meios de vida formam a base de suas relações.
- aquilo que os indivíduos são, depende diretamente das suas condições materiais.
-concepção de mudança: ligada à atividade produtiva. É o resultado entre o conflito de classe e os modos de produção (trabalho, maquinário, empresa). É também o conflito entre o novo e o velho modo de produzir.
“Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência”
*bens espirituais: filosofia, arte, sistema jurídico, moral, formas de estado.
*atividade produtiva: ECONOMIA à MODELA UMA MACROESTRUTURA SOCIAL.
PARA ELE, OS PROCESSOS PRODUTIVOS SÃO TRANSITÓRIOS. COMO: IDÉIAS, CONCEPÇOES GOSTOS, CONHECIMENTO E IDEOLOGIAS, OS QUAIS, GERADOS SOCIALMENTE, DEPENTEM DA FORMA COM A QUAL SE ORGANIZAM PARA PRODUZIR.

·        FORÇAS PRODUTIVAS: meios de produção + força de trabalho humana. Corresponde ao grau de desenvolvimento tecnológico de uma sociedade É produto de uma geração anterior, os homens se colocam nelas para produzir.

v     ESCRAVISMO – produção artesanal à SENHORES X ESCRAVOS
v     FEUDALISMO - produção artesanal à SENHORES X SERVOS
v     CAPITALISMO – produção industrial à PATRAO X EMPREGADO

ALIENAÇÃO DO TRABALHADOR
- O trabalho é instrumento para a sobrevivência, o homem como um “escravo do seu objeto.”
- quando o trabalho vira uma mercadoria, essa é usada como meio de troca por  salário, que serve para conservar o trabalhador como qualquer outro instrumentoprodutivo.
“O trabalhador converte-se numa mercadoria tanto mais barata quanto mais mercadorias produz. A desvalorização do mundo humano cresce na razão direta da valorização do mundo das coisas”
-O trabalho é uma atividade através da qual o homem se reproduz, ele manifesta suas habilidades e potencialidades.  O trabalho é uma atividade que promove a realização do homem.
- os meios de produção tornam-se propriedade privada de um grupo ou classe detentora de poder.
DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO: fragmentação do processo produtivo. Separação do trabalho intelectual do manual, 
ALIENAÇÃO
-Está no fator: TRABALHO.
*o domina e lhe é adverso.
-o homem se torna preso nas condições impostas pelo capitalismo
1.     Falta de controle. O produto do trabalho não fica nas mãos do trabalhador. Ele recebe um salário em troca do que criou e tem acesso à sua criação quando ele a compra como mercadoria.
2.     Alienado na atividade – no processo de produção: ritmo da máquina, gosto do empresário (não é livre para criar)
*o capitalista também é alienado, o capital o controla.
3.     Alienado em sua condição humana
4.     Alienado do outro, preso na concorrência (o concorrente é inimigo). Não existe solidariedade. Conceito de “exercito de reserva”, alguém fica, alguém sai.
5.     Associa-se às condições materiais de vida.
6.     trabalho como meio de satisfazer as necessidades fora do trabalho.
7.     Não participação consciente do processo produtivo
8.    
“O domínio do homem sobre a natureza é cada vez maior, mas ao mesmo tempo, o homem se converte em escravo de outros homens ou de sua própria infâmia”

*DESALIENAÇÃO: COMEÇA COM A CONSCIENCIA DE CLASSES, E REESTRUTURAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA EM BUSCA DO COLETIVISMO. SEM DIVISÃO DE CLASSES: SOCIALISMO. EM QUE AS RIQUESAS SERIAM DISTRIBUÍDAS PARA A POPULAÇAO EM GERAL.
*O ESTADO SERIA PROVEDOR DO BEM ESTAR PARA TODOS OS INDIVÍDUOS.
*Enquanto existir propriedade privada dos meios de produção, as necessidades dos homens irão se resumir em dinheiro, e as novas necessidades criadas servirão para obrigá-los a maiores sacrifícios e dependência.
VALOR DE TROCA DE UMA MERCADORIA:
- Corresponde ao tempo de trabalho socialmente necessário para a produção. Distintas mercadorias podem ter valores diferentes, e para que seus possíveis consumidores realizem o intercâmbio que pretendem é preciso haver um meio de qualificar tais valores (que variam em época, lugar, disponibilidade de materiais e técnicas para obter-lo e transformá-lo).
- mercadoria é trabalho materializado em diferentes valores de uso.
- A força de trabalho é uma mercadoria, e é a única em que pode produzir mais riqueza do que seu próprio valor de troca.
MAIS-VALIA:
-É o valor excedente ou não-pago ao trabalhador que é apropriado pela burguesia. Parte desse valor é extraído gratuitamente durante o processo de produção e passa a integrar o próprio capital, possibilitando uma acumulação crescente.

TRABALHO EXCEDENTE – TRABALHO NCESSÁRIO = MAIS-VALIA

IDEOLOGIA
*dominação NÃO VIOLENTA.
- É a “falsa consciência”, visa ocultar a dominação. Busca explicar, justificar certa realidade de modo parcial.
- anteparo para bloquear a consciência de classes.
- Conjunto de idéias de cada classe.                                
- impõe maneiras de viver e comportar: condutas, valores.
- É, geralmente, instrumento de dominação de uma classe dominante. Mas quase sempre disfarçados, fazendo passar por interesses gerais.
- elas se apresentam por imposição ou por persuasão.
-usadas para legitimar a dominação
·        ATRAVÉS DO ESTADO, NUM SISTEMA CAPITALISTA, A CLASSE DOMINANTE MONTAUM APARELHO DE COERÇÃO QUE LHE PERMITE EXERCER O PODER SOBRE TODA A SOCIEDADE, FAZENDO-A SUBMETER ÀS REGRAS POLÍTICAS.
·        O ESTADO DEVE TER FUNÇOES SOCIAIS, DEVE REPRESENTAR TODA A POPULAÇÃO.
*O papel das LEIS é fazer com que a dominação não seja violenta.
“As idéias dominantes são idéias de uma classe dominante”
Ideologia para:
Durkheim: a que permite a coesão social.
Lênin: conjunto de idéias, valores de cada classe social. Ideologia burguesa: (defesa da liberdade econômica e da propriedade privada). Ideologia socialista: (defesa da igualdade e contra a propriedade privada).
Gramsci: ideologia com cultura. É forma de consciência. Algo que identifica um povo. Arte, folclore, economia. Partido, forma mais avançada de consciência.

Um estudo sobre a Lógica

A lógica pode ser definida como “a ciência da argumentação, prova, reflexão ou inferência”. Ela permite analisar um argumento ou raciocínio e deliberar sobre sua veracidade. A lógica não é um pressuposto para a argumentação, é claro; mas conhecendo-a, mesmo que superficialmente, torna-se mais fácil evidenciar argumentos inválidos.
Atribui-se a Aristóteles o primeiro estudo formal do raciocínio, com a obra Órganon. Sua importante contribuição foi no estabelecimento dos primeiros princípios que devem estar a serviço de todos os argumentos. São eles:
·         Princípio da Identidade - Aquele que afirma a identidade de determinada coisa com ela mesma. Pode ser assim enunciado: Toda coisa é o que é.
 
·         Princípio da (não-) Contradição - Determina que: Uma coisa —considerada sob o mesmo aspecto — não pode ser e não-ser ao mesmo tempo; por conseguinte, coisa alguma pode ter e não ter, ao mesmo tempo, determinada propriedade.
 
·         Princípio do Terceiro Excluído - Afirma que: Dada uma noção qualquer ou ela é verdadeira ou é falsa, isto é, não há um possível meio-termo entre a afirmação e negação. O princípio do terço excluído sustenta, assim, que só existem dois modos de ser, e por conseguinte, de dois juízos contraditórios, um é necessariamente verdadeiro e o outro falso.

Vale fazer alguns comentários sobre o que a lógica não é:

·        Primeiro: a lógica não é uma lei absoluta que governa o universo.

·        Segundo: a lógica não é um conjunto de regras que governa o comportamento humano. Pessoas podem possuir objetivos logicamente conflitantes. Ou seja, a resposta lógica nem sempre é viável.

Argumentos

Um argumento é uma série de afirmações, com o fim de estabelecer uma proposição definida. Existem vários tipos de argumento; iremos discutir os chamados dedutivos. Esses são geralmente vistos como os mais precisos e persuasivos, provando categoricamente suas conclusões; podem ser válidos ou inválidos.
Argumentos dedutivos possuem três estágios: premissas, inferência e conclusão. Entretanto, antes de discutir tais estágios detalhadamente, precisamos examinar os alicerces de um argumento dedutivo: proposições.

Proposições

Uma proposição é uma afirmação que pode ser verdadeira ou falsa. Ela é o significado da afirmação, não um arranjo preciso das palavras para transmitir esse significado. É a partir delas que os argumentos são construídos; são as razões para se aceitar o argumento.

Inferência
Umas vez que haja concordância sobre as premissas, o argumento procede passo a passo através do processo chamado inferência. Nela, parte-se de uma ou mais proposições aceitas (premissas) para chegar a outras novas. Se a inferência for válida, a nova proposição também deve ser aceita. Posteriormente essa proposição poderá ser empregada em novas inferências.
Conclusão
Finalmente se chegará a uma proposição que consiste na conclusão, ou seja, no que se está tentando provar. Ela é o resultado final do processo de inferência, e só pode ser classificada como conclusão no contexto de um argumento em particular. A conclusão se respalda nas premissas e é inferida a partir delas.

2.1 IMPLICAÇÕES EM DETALHES
Evidentemente, pode-se construir um argumento válido a partir de premissas verdadeiras, chegando a uma conclusão também verdadeira. Mas também é possível construir argumentos válidos a partir de premissas falsas, chegando a conclusões falsas.
É importante perceber que podemos partir de premissas falsas, proceder através de uma inferência válida, e chegar a uma conclusão verdadeira.

2.1.1Por exemplo:
Premissa A: Todos peixes vivem no oceano.
Premissa B: Sardinhas são peixes.
Conclusão: Logo, sardinhas vivem no oceano.
Há, no entanto, uma coisa que não pode ser feita: partir de premissas verdadeiras, inferir de modo correto, e chegar a uma conclusão falsa.
Podemos resumir esses resultados numa tabela de “regras de implicação”.

*(O símbolo “ ” denota implicação; “A” é a premissa, “B” é a conclusão.)





Regras de implicação
Premissa
Conclusão
Inferência
A
B
A B
Falsa
Falsa
Válida
Falsa
Verdadeira
Válida
Verdadeira
Falsa
Inválida
Verdadeira
Verdadeira
Válida



-Se as premissas são falsas e a inferência válida, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa (linhas 1 e 2).
-Se a premissa é verdadeira e a conclusão falsa, a inferência é inválida (linha 3).
-Se as premissas e inferência são válidas, a conclusão é verdadeira (linha 4).

Desse modo, o fato de um argumento ser válido não significa necessariamente que sua conclusão é verdadeira, pois pode ter partido de premissas falsas.
Um argumento válido que foi derivado de premissas verdadeiras é chamado “argumento consistente”. Esses obrigatoriamente chegam a conclusões verdadeiras.
2.1.2. Outros exemplos:



Sujeito Existe
Sujeito
Predicado
Sujeito não existe
Verdadeiro
Fred
Quebrou a perna
Falso
Falso
Fred
Vai jogar futebol
Falso
Falso
Fred
Não quebrou a perna
Verdadeiro






Sujeito Existe
Sujeito
Predicado
Sujeito não existe
Verdadeiro
Sofia
Matou alguém
Falso
Falso
Sofia
Não Vai ser Presa
Falso
Falso
Sofia
Não matou alguém
Verdadeiro



Conclusões:
1º Exemplo:
ü     Se for verdade que Fred quebrou a perna, não é certo dizer que ele não existe.
ü     Se Fred não existe, logo não pode ser dito que ele vai jogar futebol.
ü     Se Fred não existe, então é conclui-se que Fred não quebrou a perna.
ü     É falso falar de alguém que não existe.
ü     Entre a 1º e a 3º frases tem-se uma OPOSIÇAO.

2º Exemplo:

ü      Se for verdadeira a existência de Sofia é certo afirmar que ela matou alguém.
ü      Se ela existir é falso afirmar  que ela não seja presa e caso ela não exista ela nem vai cometer o crime de matar alguém.
ü      Se Sofia não existe ela não cometeu homicídio nenhum, pois é falso falar de alguém que não existe.
ü      Entre a 1º e a 3º frases tem-se uma OPOSIÇAO.


Através de três premissas simples, pretende-se encontrar a relação entre estas sentenças a partir dos valores lógicos, de verdadeiro ou falso, que elas podem assumir. Estes valores serão tomados partindo-se de duas situações distintas, sendo a primeira a consideração da existência do sujeito e a segunda a inexistência do sujeito. Busca-se, ainda, verificar se há equivalência de valores entre as duas situações propostas.

Seja apenas você mesma!

Não adianta tentar ser o que você não é. Para valorizar sua beleza, descubra seu estilo, chame a atenção para seus pontos fortes, aceite suas limitações e não dê tanta importância aos modelos impostos.
Acontece com todo mundo. Um dia, você acorda meio de mau-humor e ao encarar o espelho, se assusta. Não deixa escapar os sinais das pálpebras inchadas e examina os cabelos arrepiados. No chuveiro: pneuzinhos demais, curvas de menos. E o que dizer daquela barriguinha insistente e da celulite mais do que visível.
E a impressão é de que só mesmo um milagre para transformar você numa pessoa perfeita e de dar um jeito nessa situação. Mas já que nada disso tem jeito, veste a primeira roupa que vê pela frente, sai com celulite e tudo rumo ao trabalho.
Todas nós já tivemos um despertar assim e na maior parte das vezes, seguido de uma dolorosa preocupação de que os outros vêem e pensam sobre nós.
Nessas horas parece difícil não submeter-se a uma velha armadilha tão antiga quanto ineficiente: a da vitimização. Se não somos desse ou daquele jeito, a culpa é da nossa herança genética, da falta de dinheiro, da sobrecarga de trabalho, dos muitos compromissos com a família e de tudo o mais que absorve nosso precioso tempo. Mas pode também dar a volta por cima: arregaçar as mangas, traçar metas e alcançar seus objetivos vertendo suor em vez de lágrimas. Agora ou depois, pegar ou largar, tudo depende de seu empenho e de sua capacidade de tolerar algumas inevitáveis frustrações. Ninguém ganha um corpo escultural, um andar ágil ou um estado quase zen de equilíbrio emocional deitada num sofá se deliciando com sanduíche, pipoca, chocolate e refrigerante.
É Preciso, em primeiro lugar, responder a dúvida com decisão: quero mudar ou não quero? Depois, encarar com firmeza e disciplina as iniciativas. Virar o jogo também requer prática e habilidade e é uma tarefa que envolve três etapas fundamentais: a identificação de oportunidades, a moderação para optar pela mais adequada e, por fim, a persistência – aquela teimosia saudável que nos faz seguir na direção reta e direta da realização.
O que se vê por fora é reflexo do que há por dentro podendo ser uma idéia ou um modelo mental. A beleza interior existe e está associada a um estado de espírito positivo, de uma energia alegre, mas também de algumas atitudes. Não tente se enganar: a beleza começa pela boca e se você é daquelas que não conseguem fugir das tentações do fast-food, preste atenção a sensação que elas provocam.
Neste mundo de conveniências, é possível cuidar da alimentação sem sacrifícios, valendo-se de boas doses de informação e equilíbrio. A mudança de hábito, além de ajudar na boa forma, traz benefícios à saúde.
Mude, melhore, experimente-se, surpreenda-se, faça o que quiser. Mas tome muito cuidado para não se transformar numa caricatura mal-acabada de si mesma. Respeite seu equilíbrio e suas proporções. O perigo está no exagero e na vontade de se manter jovem a qualquer preço mesmo que o resultado seja desastroso.
Modele suas formas mantendo metas e sacrifícios em medidas proporcionais; ouça seu corpo e aprenda o que cada sintoma tem a lhe dizer; sinta seu corpo e ofereça-lhe suprimento extra de descanso, carinho e prazer. Você é responsável por toda marca, cada linha, cada inscrição. Sempre é possível refazer alguma parte, apagando rastros, aprimorando o que simplesmente não deu certo.
Cabe a cada mulher ser o que bem quiser. E a beleza é o resultado de uma história de vida particular, que revela sua verdadeira identidade.


sábado, 27 de novembro de 2010

Um Herói de Verdade

Alguns fatos nos permitem grandes reflexões. É normal enquadrar a vida em uma rotina, conversar com um e outro, ir ao trabalho, à faculdade, fazer uma caminhada na rua, voltar para a casa. O dia seguindo, pessoas indo e vindo. Até que de repente, você está na sua casa, num dia como o de costume, e algo estranho acontece, e tudo parece desmoronar em uma fração de segundos.
            Aconteceu comigo!
            Era uma tarde, quase noite, de verão, chuvosa como muitas outras nesta época do ano. Sentada no computador recebo a doce visita de vovó, no auge de sua calma, dizendo da presença de um ser estranho na sala de jantar. Espantada, e já imaginando algo como: um sapo? uma bruxinha de luz? um passarinho? Antes fossem eu pensei, pois na verdade, encontrei para o meu desespero, uma robusta, preta, e “muuuuito” grande Pomba Rola, tranquilamente instalada na mesa de jantar, abrigando-se da chuva.
            Recordo-me da infância, ainda no interior (Rio Pomba, coincidência?!) do transtorno causado pela entrada indevida de animais na casa. Era um verdadeiro sufoco! Sapos, rãs e pererecas cobertas de sal, passarinhos se debatendo por toda a casa dando vôos rasantes sobre nossas cabeças, besouros “raqueteados”, morcegos “escaldados”, e grilos serrados ao meio por impiedosas vassouras. O caos reinava em momentos como esses.
            Com essas duras lembranças, ainda frescas na memória, corri com vovó para o corredor e lá nos entrincheiramos para arquitetar uma solução para o “caso pomba”. Uma verdadeira guerra de nervos. De um lado a pomba folgada se exercitando pela mesa, entre uma parada e outra para um cochilo, e do outro, eu acuada olhando pela fresta da porta, “secando” para que ela desconfiasse e seguisse seu rumo para longe da minha vida. Até compreendi que a chuva estada bem forte e que o abrigo era bom, mas, acuada dentro da própria casa era no mínimo um absurdo.
            Não queria nem imaginar aquele grande bicho (para os padrões de um apartamento) se debatendo pela casa num sofrimento sem fim. Piedade ainda me restava. Então optei por deitar um pouco, comecei a me questionar, como resolveria aquele problema? Por que não uma vassourada? Ah não, não seria capaz!
De dois em dois minutos lá estava eu na porta, entre eu e a sonolenta pomba, uns 3 metros e pouco de distância. Depois de tomar grande coragem, abri a porta e pedi que se retirasse de forma honrosa com a mesma delicadeza que entrou – ela não se moveu, me olhava fixamente. Foi então que bati com o meu caderno na parede – vá embora para que não haja derramamento de sangue! Ela teve a coragem de me ignorar. Resolvi me recompor, e partir para a estratégia da comidinha. Lancei um biscoito de polvilho (do estoque de suprimentos, pois sua presença na copa impedia chegada à cozinha) na direção da janela para que ela se posicionasse de forma propícia à partida. Errei a mira, o biscoito caiu no chão e ela respondeu com uma piscadinha, mais para agradecer o possível alimento, caso se dispusesse a deslocar-se até o chão – o que não aconteceu! Tomada pela ira, fui até o quarto, peguei o desodorante spray, disparei o forte jato em sua direção, e o mais surpreendente foi que ela virou-se, subiu na ponta da cadeira, e por lá ficou! Fechei a porta do corredor indignada, confesso que pensei na vassourada!
Fui para a internet, buscar ajuda, e o incrível foi que as pessoas ficavam rindo da minha situação, não entendiam o desespero. Sugeriam que eu abrisse a janela (por onde pensavam que ela tinha entrado?!), ou que ligasse para os bombeiros. Meu Deus!
Sozinha em casa, cuidando de uma doce senhorinha (ou estaria ela cuidando de mim?!) tomada pelo desejo incrível de bancar a “super vovó” e colocar a intrusa de vez para fora – estava eu com dois problemas, conter a vovó e espantar a persistente pomba rola.
Com quase 200 pessoas no MSN até acreditei que alguém me ajudaria, nem que fosse com um breve apoio moral. Mas não foi o que ocorreu. As horas foram passando, o suprimento de água se esgotando e o fato de me imaginar rastejando no chão, como um soldado mudando de posto na batalha, já atordoava. Chorei, chorei e chorei! Poxa, era um choro de desabafo, ninguém ia me ajudar?!
Somos tão fortes para algumas coisas, mas nossa humanidade não nos permite tudo, somos seres com fragilidades! Eu estava com medo, acuada, sozinha e com problemas filosóficos! Dureza!
Mas eu me enganei em um detalhe, não estava sozinha! Eu sou alguém de muita fé na vida, e a solução para o caso chegaria! E chegou! E veio na pele de um verdadeiro anjo, não esses loirinhos que andam por ai de vestido branco. O meu anjo é forte, lindo, atraente, educado, amável, gentil e tudo mais. Ele não é só um anjo, é um herói! Um herói real, que se dispõe a deixar sua cama, sua casa, ou uma distração com os amigos para vir até a minha casa me tirar do horror, pavor e todos “or” que imaginarem. Poucos são assim, poucos se importam em ajudar, a ouvir, a tentar entender. Poucos estão por mim, por nós!
E ele chegou, entrou, e com toda calma colocou a intrusa gentilmente para fora. Eu ainda com lágrimas nos olhos, não contive a emoção, corri para aqueles braços firmes e carinhosamente inesquecíveis.
Edgar... Tanto músculo e tanta doçura! Você é meu herói! Olhando para seus olhos dentro da minha casa, abraçada com você, quis parar o tempo, ficar com você para sempre... ser a mais amante das criaturas!!

O meu amor não tem limite... mas ele tem nome: EDGAR! O meu HERÓI!

À você todo o meu carinho e gratidão!


Adriana Furtado
Belo Horizonte, 27 de novembro de 2010.